Caos epidêmico no Brasil
A irrelevância com o coronavírus e suas consequências
Por Yury Burjack
PUBLICADO 19 de JULHO de 2021
De acordo com o jornal O Globo, em entrevista com o secretário executivo do ministério da saúde João Gabbardo Reis, em Brasília na data do dia 24 de março de 2020, afirmou que, “que o número de leitos de UTI do país, até o momento, ‘está preparado’ para enfrentar a pandemia causada pelo novo coronavírus".
No entanto, desde os primeiros rumores acerca do vírus e sua ação devastadora, os brasileiros têm claro conhecimento da situação precária da falta de infraestrutura hospitalar, quadro incompleto de profissionais da área, assim, como medicamentos, leitos, etc. Mas, parece que para o Sr. secretário executivo, isto não estava “claro”, visto as suas declarações mencionadas anteriormente.
No
decorrer das semanas e dos meses do ano 2020 os casos de COVID 19 se tornaram
constantes, com um elevado índice de mortes e pessoas infectadas, como é
possível observar no quadro abaixo.
Fonte: Secretarias Estaduais de saúde (2021).
Em entrevista via WhatsApp com a funcionária pública Adelane Martins, do hospital Materno, da cidade de Porto Nacional-TO, em 19 de maio de 2021, a mesma nos relatou como está a situação acerca do funcionamento do hospital desde o início e durante a pandemia da Covid-19.
YB.: Como têm se sucedido o trabalho na saúde
durante esse período de pandemia? Como tem funcionado o hospital e o que mudou
com a chegada desse vírus?
AM: Essa pandemia transformou a rotina de todo o hospital, todos os profissionais, os usuários, enfim, de todos que precisam dos serviços de saúde, não só do materno infantil, mas em todos os hospitais. Eu tenho 13 anos que trabalho na maternidade e nunca nos deparamos por uma situação tão difícil como essa época de pandemia.
A rotina da maternidade, os leitos para as pacientes e também todas as
pacientes em trabalho de parto, elas tinham um acompanhante durante o parto e o
pós parto, tudo, todas as pacientes tinham esse acompanhamento. A criança
também tinha esse acompanhamento por uma pessoa da família, com a pandemia da
COVID, essa rotina mudou totalmente, porque a paciente não tem mais o direito de ter um acompanhante durante o
parto, pós parto, até sua permanência dentro do hospital é uma coisa muito
ruim, porque a pessoa que está ali naquela situação, dentro do hospital não
conhece ninguém, ela fica com medo de como que as pessoas vão tratar e não tem
ninguém ali da sua família, para
acompanhar, para estar junto com ela.
Então para o paciente ficou muito difícil e não só para o paciente,
para nós profissionais de saúde também ficou muito difícil, porque o
acompanhante da paciente nos ajudava muito dando o seu apoio, ajudando,
confortando, vigiando.
Com
esse distanciamento, nós não podemos estar ali fazendo uma massagem, fazendo
algo a mais pela paciente devido a
COVID, porque a gente pode se contaminar, ninguém sabe quem está ou quem não está com o vírus, então assim,
ficou muito difícil, muito ruim para o profissional de saúde e pior para um
usuário que não tem esse direito, que não pode usufruir do direito que ele tem de uma acompanhante no trabalho de parto,
então é isso.
Voltando lá nas parturientes,
eu também quero falar que antes da pandemia ela tinha uma rotina de receber visitas dos amigos, dos entes
queridos no horário das 15:00 às 16:00. E essas visitas, elas foram suspensas
devido a pandemia da COVID-19, porque o fluxo de pessoas ao entrar no hospital
pode desenvolver e espalhar o vírus porque não se sabe quem tem o vírus e quem
não tem, ou quem está com o vírus, então assim, foram suspensas essas visitas
de rotina e essas visitas foram suspensas
para todos, para as puérperas e também para as crianças, que também se encontra
no hospital. As crianças também
foram as mais prejudicadas, por um lado, porque quando elas se encontram internadas
no hospital antes da pandemia, elas poderiam ficar com o pai e com a mãe junto na enfermaria e com a pandemia,
ela só pode ficar com um acompanhante ou pai ou a mãe, ou alguém da família que se dispuser. Então assim, para a criança
durante a sua permanência, se ela for ficar 10 dias no hospital, são 10 dias
sem ver o pai ou sem ver a mãe, assim, ou um ou outro, então assim, é um
período complicado.
Porque a criança fica triste devido não vê os outros conjuros, seu pai ou a sua mãe. E ela fica triste às vezes até prejudica na recuperação de sua saúde e assim como é as parturientes das puérperas também e todos. Enfim, todos ficaram prejudicados e não só os usuários do hospital, mas também, nós, funcionários, também estamos sendo prejudicados porque o nosso trabalho dobrou, porque o acompanhante nos ajudava muito. Então a sobrecarga está muito maior sobre nós do que antes e o que eu espero é que essa pandemia acabe logo e que a vacina chegue para todos, e que todos sejam beneficiados com a vacina, para que possamos voltar nossa vida normal, andarmos pela rua, viajar mais, está em todos os lugares, sem máscaras, então eu espero que esse dia chegue logo, é isso.
YB: O quadro de funcionários
está completo, e os salários estão sendo repassados adequadamente?
“AM: “O quadro de funcionários não estão completos devido ter funcionários que têm e são diabéticos, hipertensos, estes estão trabalhando de home office, também temos funcionárias grávidas que não estão indo trabalhar, têm umas já com idade mais avançadas que também estão de home office, então assim, o quadro de funcionários diminuiu bastante e o trabalho aumentou.
O salário nosso também não aumentou e nós não estamos recebendo a gratificação pelo trabalho a mais no enfrentamento da COVID.”
YB: Como está a saúde
psicológica dos funcionários e se estes estão recebendo algum acompanhamento ou
alguma orientação psicológica?
AM: Nós
estamos sem apoio nenhum, pois nós vamos trabalhar e deixamos nossas famílias para dedicar às famílias dos outros e o
medo de voltarmos para a casa de contaminar nossa família é muito grande, então assim, nós precisamos
de um apoio psicológico do hospital, mas até o momento ainda não temos esse apoio psicológico.
No
hospital já reivindicamos os nossos gestores, mas por enquanto o apoio
psicológico ainda não está disponível aos servidores e temos psicólogos lá na
maternidade, mas eles estão disponibilizados para os usuários, que são os
pacientes que lá se encontram, mas no quadro de funcionários nós estamos sem
esse amparo.
Muitos funcionários estão doentes, adoecemos e tem dia que funcionários não conseguem executar a sua atividade profissional. Então naquele momento às vezes vão embora para casa.
YB: Qual a
importância da vacina nesse combate ao coronavírus?
AM: Eu Acredito que a vacina, ela veio para nos libertarmos desse
distanciamento social desses conflitos que estamos vivendo, não podemos vermos
nossos entes queridos, nem abraçarmos, então assim, a vacina ela não veio
totalmente para curar, mas ela veio para amenizar, pena que ela está sendo
só até os 18 anos de idade, mas eu espero que ela se estenda como em outros
países, que
estão revendo a questão da idade, eu espero que ela venha ser
ofertada para as crianças também.
Eu acredito sim no poder da vacina porque as pessoas que já estão vacinadas após a segunda dose, foram comprovadas e a gente vê também aqui em nosso meio que as pessoas que já tomaram a segunda dose, elas praticamente não estão sendo contaminadas com a COVID, então assim, dá para perceber que ela é mesmo eficaz e que ela precisa se estender a todos, sem exceção, para que a gente volte a nossa vida normal.

Este comentário foi removido por um administrador do blog.
ResponderExcluir